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Não está tudo bem agora, pequena. Mas vai ficar. Por ora, me manterei afastado. Por birra, preguiça ou medo simplesmente. Não sei se é uma preparação pra não ter você ou se tenho pavor de medir o tempo ou, quem sabe, um receio covarde de que a gente não saiba terminar e deixe passar nosso prazo de validade por i-meios cada mês mais curtos. Eu não sei se você queria que eu lutasse ou não, mas agora tanto faz. Muitas pessoas ficaram pra trás, outras tantas deixei passar. Não sei de que lado você está. Mas. Bem. A vida segue, não sei como, mas é confortável pensar assim. São as estradas da vida. Só se pode seguir uma delas, sem nunca saber como seriam as outras. Acontece assim também com alguns amores. Apenas seguindo em frente, por mim e por nós dois. Sinto saudades, dói um pouco. Mas não sei o que dói mais. Quando acaba, quando sentimos que acabou, ou quando a gente precisa cair na real que acabou e já faz tempo.

Gabito Nunes.

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Se eu gosto dessa vida? Ah, vamos lá. É só um trabalho. Você gosta do seu? Não tem dias que você quer sair correndo e nunca mais voltar? Você está a fim de fazer isso que você faz para o resto de seus dias? Às vezes você não sente que está empurrando tudo com a barriga? Nossas realidades não são muito diferentes nesse ponto. Eu também estou atrás da felicidade, sinto falta dela, mesmo achando que nem sei o que é.

Gabito Nunes.

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Entre nós dois a conversa sempre fluía espontânea. Ela falava um pouco, eu prestava atenção, e depois chegava a minha vez. Nosso diálogo era sempre assim, simples, sem esforço nenhum. Parecia que tínhamos segredos em comum. Quando se descobria um que valesse a pena, Cass dava aquela risada — da maneira que só ela sabia dar. Era como a alegria provocada por uma fogueira.

Bukowski.